Entre 2024 e 2025, o governo conseguiu promover a regulamentação das empresas, em iniciativa encabeçada pelo ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad
UOL
09/04/2026
O presidente Lula (PT) afirmou nessa quarta-feira (8), que, por ele, acabaria com as empresas de apostas online, as bets, mas sem apresentar uma solução viável. Bancada do PT na Câmara estuda proposta de proibição das bets ou aumento da tributação sobre o setor.
"Se depender de mim, a gente fecha as bets", afirmou o presidente, em entrevista no Palácio do Planalto. "Obviamente que depende do Congresso Nacional, depende de uma discussão", completou, apontando para o prédio do Legislativo em entrevista concedida a Leandro Demori e Eduardo Moreira no ICL Notícias.
Sem citar nomes, ele culpou o lobby do setor. "Eu sei que eles [empresas de bets] financiam [campanhas], eu sei que tem... Eu poderia até citar nomes, porque eu não sou policial. Mas todo mundo sabe quem são os deputados que estão envolvidos nisso, quem são os partidos que estão envolvidos nisso, quem são os senadores, todo mundo sabe."
A bancada do PT na Câmara estuda apresentar, na próxima semana, propostas para regulamentar as apostas esportivas, com duas possibilidades em análise: a proibição das bets no país ou o aumento progressivo da tributação sobre o setor. Segundo o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, "nós temos duas possibilidades: uma mais radical, que é proibir as bets no país, e outra de aumentar progressivamente os impostos", a partir de projetos já em discussão.
Atualmente, não há nenhuma proposta de proibição em circulação no Congresso. Entre 2024 e 2025, o governo conseguiu promover a regulamentação das empresas, em iniciativa encabeçada pelo ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad.
"Se as bets causam o mal que a gente acha que causam, por que a gente não acaba com as bets?", questionou. "Nesse país, religioso como é, eu passei toda a minha vida ouvindo dizer que não era possível ter jogo de azar, não era possível ter cassino, o jogo do bicho era contravenção, não sei das quantas."
Líder defende proibição total. Uczai afirmou ser favorável à medida mais dura e disse que pretende "enfrentar esse tema e proibir bets nesse país", citando impactos sociais das apostas.
Fazenda tende à alternativa via impostos. De acordo com o deputado, a equipe econômica tem mais simpatia pela tributação: "Para a equipe econômica, a questão dos impostos é mais interessante, mas para a sociedade brasileira pode ser que não."
Durigan ainda não fechou posição. Uczai relatou que se reuniu com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, mas que não houve definição. "Ele não tomou posição definitiva", disse.
Arrecadação com bets é alvo de críticas. O líder afirmou que os impostos pagos pelas bets são baixos diante dos custos sociais. "O sistema de saúde gasta bilhões e os impostos das bets são irrisórios", afirmou.
Regulamentação do meio digital tem sido um dos focos do Lula 3, por iniciativa do presidente. Em março, ele regulamentou o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital, vigente desde há quase um mês, com críticas às big techs.
Apelidada "Lei da Adultização", a legislação é voltada para a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. As plataformas e redes sociais que operam no Brasil passaram a ser obrigadas a abandonar o uso de recursos que possam prender a atenção deste público, como a rolagem infinita de feed sem pausas naturais e a reprodução automática de vídeos.
As bets atingem ainda outra questão sensível ao governo: o endividamento da população. O governo tem avaliado que a contração de dívidas tem sido o principal motivo para percepção negativa da economia por parte do eleitorado, que surpreendeu a gestão.
"Não é possível a gente continuar com essa jogatina desenfreada nesse país", disse. "Isso leva a sociedade a cometer desvio, porque todo mundo quer ganhar um dinheirinho a mais. Porque também quando a pessoa tá viciada no jogo... a pessoa tem que tratar isso como uma questão de saúde."
