Além dos votos de quem optou por outros candidatos, Lula e Flávio Bolsonaro buscam convencer os 33,46 milhões de ausentes a ir às urnas neste domingo
Folhapress
25/10/2026
Cerca de 158,7 milhões de eleitores estão aptos a voltar às urnas neste domingo (25) para decidir quem será o presidente da República pelos próximos quatro anos. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Lula (PT) concorrem em uma das eleições mais acirradas em quase quatro décadas
O filho de Jair Bolsonaro (PL), ex-presidente condenado e preso por tentar um golpe de Estado, terminou o primeiro turno à frente, com 47,03%, enquanto o atual mandatário teve 45,16% dos votos - a diferença de 1,87 ponto percentual é a menor registrada em um primeiro turno das eleições presidenciais desde a redemocratização.
Agora, Flávio soma 51% dos votos válidos (ou seja, sem contar brancos, nulos e indecisos) na pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (24), enquanto Lula tem 49% - situação considerada de empate técnico. O petista e o postulante do PL apareceram numericamente empatados com 50% dos votos válidos cada no levantamento publicado pelo instituto na última quinta-feira (22).
A distância entre os candidatos no levantamento deste sábado, de dois pontos percentuais, é a menor registrada em pesquisas de véspera do segundo turno realizadas pelo Datafolha desde 1989, ano do primeiro pleito presidencial depois da redemocratização.
Em 2022, quando o atual presidente derrotou Bolsonaro, a diferença entre eles no levantamento Datafolha do dia anterior à votação era de quatro pontos percentuais (52% a 48%, respectivamente) - Lula foi eleito com 50,9%, contra 49,1% do adversário, com a menor distância registrada nas urnas na Nova República (1,8 ponto percentual).
Quatro anos antes, em 2018, quando Bolsonaro (à época filiado ao PSL) ganhou de Fernando Haddad (PT), eles tinham, respectivamente, 55% e 45% no Datafolha da véspera do segundo turno - ou seja, dez pontos de distância. Nas urnas, Bolsonaro teve 55,13% dos votos válidos, ante 44,87% de Haddad.
A maior distância entre presidenciáveis em uma pesquisa Datafolha no dia anterior ao segundo turno foi registrada em 2002, quando Lula foi eleito presidente pela primeira vez - o petista (64%) estava 28 pontos à frente de José Serra (PSDB, 36%) no levantamento. Eles obtiveram nas urnas, respectivamente, 61,27% e 38,73% dos votos válidos.
A menor diferença até então havia sido verificada em 1989, quando Fernando Collor (PRN) estava três pontos à frente de Lula tanto na véspera do segundo turno (47% a 44% em 16 de dezembro de 1989 , em um levantamento que considerava apenas os votos totais) quanto na pesquisa boca de urna feita na data da votação (51,5% a 48,5% dos votos válidos). Nas urnas, eles obtiveram, respectivamente, 53,03% e 46,97%.
O segundo resultado mais apertado nas urnas desde 1989 foi registrado em 2014, quando Dilma Rousseff (PT) foi eleita com 51,64% dos votos válidos, 3,28 pontos percentuais à frente de Aécio Neves (PSDB, 48,36%).
Além dos votos de quem optou por outros candidatos, Lula e Flávio Bolsonaro buscam convencer os 33,46 milhões de ausentes a ir às urnas neste domingo. A abstenção neste ano, de 21,08%, foi a maior desde 1998, quando 21,5% dos eleitores deixaram de votar.
A reta final das eleições foi marcada pela mobilização das campanhas nas redes sociais e em atos de rua. Nesse sábado (24), Lula esteve em Copacabana, no Rio de Janeiro, e na avenida Paulista, em São Paulo, enquanto Flávio participou de motociata e comício em Belo Horizonte e também no Rio de Janeiro.
Houve também relatos de diferenças no tratamento dado aos candidatos pela Meta, empresa de tecnologia americana dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp. A suspeita é de que o senador foi privilegiado e o presidente, preterido - em um dos casos, a ferramenta de inteligência artificial Meta AI se recusava a produzir imagens com Lula, mas produzia materiais de campanha para Flávio.
Na última semana da campanha, destacou-se também a discussão sobre a abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico proposta por Lula a Flávio Bolsonaro no domingo (18), durante o debate da Band. Os presidenciáveis assinaram na quinta um acordo pela quebra mútua de suas informações e de seus familiares, mas o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), considerou que não é atribuição da Justiça Eleitoral tratar do assunto.
O último confronto entre os candidatos aconteceu na sexta-feira (23), na TV Globo. Um dos principais momentos de embate ocorreu quando Flávio chamou Lula de "nove dedos", ao que o presidente respondeu afirmando que perdeu o mindinho da mão esquerda ainda durante a adolescência, em um acidente de trabalho quando era torneiro mecânico, e chamando o oponente de grã-fino e miliciano.
O petista levou ao debate o caso de Ana Clara, menina de cinco anos morta por um tiro de fuzil em 2021, cuja mãe, Cristiane Gomes da Silva, estava no estúdio. Flávio integrou a defesa do policial militar acusado do crime. Ao responder, o senador chamou a mãe pelo nome da filha. Cristiane reagiu ao momento gritando: "Ela morreu".
