Judiciário e governo federal têm a pior avaliação na área da segurança pública, diz pesquisa

Para 28% dos entrevistados, violência é o pior problema do país e oito a cada 10 veem criminalidade maior nos últimos dois anos

Estadão Conteúdo
18/09/2026


Pesquisa realizada pela Quaest aponta que o governo federal e o Judiciário têm as piores avaliações quando o assunto são ações voltadas para a segurança pública. O levantamento também captou a sensação de insegurança dos eleitores. Para 28% dos entrevistados, a violência é o pior problema do Brasil e 79% acreditam que a criminalidade aumentou nos últimos dois anos no país.

Os dados são divulgados em meio à crise no Supremo Tribunal Federal e após o governo dos Estados Unidos cobrar o governo brasileiro para ser mais rigoroso no combate às principais facções do país, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Procurados para comentar os resultados após a divulgação da pesquisa, o governo federal e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) não se manifestaram.

O trabalho da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para combater a criminalidade foi avaliado de forma negativa por 36% dos entrevistados. No caso da atuação dos magistrados, a má avaliação fica em 35% dos eleitores - 26% e 23% responderam de forma positiva, respectivamente.

São os piores índices quando comparados com outras forças de segurança e órgãos do poder público, como prefeituras e governos estaduais. O trabalho da Polícia Federal, por exemplo, foi avaliado como positivo por 44% dos entrevistados.

A pesquisa foi realizada em conjunto com a Pax, empresa de inteligência artificial para segurança pública, e entrevistou presencialmente 2.004 brasileiros de 16 anos ou mais entre os dias 12 e 15 de setembro. A margem de erro é de dois pontos porcentuais e o nível de confiança é de 95%.

Conforme o levantamento, 67% das pessoas entendem que a punição aos criminosos tem sido menor nos últimos anos. Para 22%, a punição tem sido maior e outros 11% não souberam ou não quiseram responder.

Segundo a Constituição Federal, a segurança pública é responsabilidade dos Estados, mas dever de todos os entes. Diante da crise de violência, têm crescido por parte de gestores locais e especialistas os apelos para que a União amplie investimentos no combate à criminalidade. Também houve críticas pelo descumprimento da promessa de recriar o Ministério da Segurança Pública (extinto no fim de 2018), hoje atrelado à pasta da Justiça. Candidato à reeleição, Lula volta a prometer o órgão nesta campanha.

A pesquisa avaliou o grau de aprovação da medida e apontou que cerca de 78% concordam com a criação de um ministério próprio para a segurança.

Para eleitores, violência é o pior problema do país

A preocupação com a violência é uma das principais pautas que devem guiar o voto dos eleitores este ano. Em meio ao crescimento do PCC e do CV, a sensação de insegurança permanece alta. Nem mesmo a queda de índices criminais, como homicídios e roubos, tranquiliza a população.

Para 28% dos entrevistados da pesquisa, a violência é o pior problema do país, à frente de corrupção (22%), economia (19%) e saúde (15%).

Em recortes específicos - escolaridade, renda e região -, o cenário sofre algumas alterações: corrupção aparece como resposta mais frequente para quem tem ensino superior (29%), quem ganha acima de cinco salários mínimos (28%) e quem vive no Centro-Oeste (27%).

Contudo, 70% acreditam que a violência "aumentou muito" nos últimos dois anos, e 9% entendem que "aumentou um pouco" no mesmo período. Ou seja, a cada 10 pessoas, oito sentem o crescimento da criminalidade.

Quando questionados sobre o porquê desse aumento, 14% acreditam que há um crescimento na frequência de crimes; 12%, que a brutalidade dos casos ficou mais elevada; mas 73% entendem que as duas situações acontecem de forma conjunta.
Próxima Postagem Postagem Anterior

نموذج الاتصال