PSB expulsa prefeito de Campestre do Maranhão após ameaças de demissão por motivos eleitorais

A punição ocorre após a divulgação de mensagens e áudios em que o prefeito pressionava servidores públicos

O Imparcial
11/08/2026


A Executiva Estadual do Partido Socialista Brasileiro (PSB) no Maranhão decidiu expulsar de seus quadros o prefeito de Campestre do Maranhão, Fernando Oliveira da Silva, conhecido como 'Fernando Bermuda'. A medida foi tomada após o gestor ameaçar demitir servidores municipais que não apoiarem o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) na eleição de outubro de 2026.

A expulsão consta na Resolução n° 008/2026, assinada pela direção estadual do partido e aprovada por unanimidade em reunião extraordinária realizada no sábado (8).

De acordo com o documento, 'Fernando Bermuda' cometeu "grave infidelidade partidária" ao atuar politicamente em favor de candidatos de siglas adversárias, contrariando as orientações oficiais do PSB. A legenda destacou que a conduta do prefeito ultrapassou a mera preferência individual, configurando uma atuação organizada contra as diretrizes do partido.

Ameaças de demissão e repercussão nacional

A punição ocorre após a divulgação de mensagens e áudios em que o prefeito pressionava servidores públicos. Em uma das declarações divulgadas em grupos de mensagem e canais de transmissão, Bermuda afirmou que os funcionários que votassem no presidente Luiz Inácio Lula da Silva perderiam seus cargos após o pleito. O caso ganhou repercussão nacional e incluiu até a circulação de um jingle produzido por inteligência artificial, que condicionava a permanência dos servidores ao voto em Flávio Bolsonaro.

Em sua defesa, o prefeito alegou que as mensagens apenas expressavam seu "ponto de vista sobre a política" e os potenciais impactos orçamentários na cidade caso o atual governo federal seja mantido.

Embora Campestre do Maranhão tenha recebido mais de R$ 185 milhões em recursos federais entre janeiro de 2023 e julho de 2026, 'Bermuda' argumenta enfrentar problemas de orçamento. Ele admitiu que fará cortes na administração municipal em caso de derrota de seus aliados - e que os simpatizantes do Partido dos Trabalhadores (PT) serão os primeiros atingidos.

Afronta às diretrizes partidárias

Na resolução, o PSB ressaltou que a gravidade da conduta é ampliada pelo fato de 'Bermuda' exercer um mandato majoritário conquistado pela própria legenda, o que exigiria maior dever de fidelidade.

A direção estadual enfatizou que a postura do gestor afronta diretamente a estratégia eleitoral nacional do partido para 2026, que envolve o apoio à candidatura de Geraldo Alckmin à Vice-Presidência da República. O documento cita o Estatuto do PSB, que obriga os filiados a cumprirem as decisões internas e apoiarem os nomes indicados pelas instâncias oficiais.

Cancelamento de filiação e ilícitos eleitorais

Com base no artigo 9°, alínea "g", do Estatuto Partidário, o Artigo 1° da resolução formaliza a expulsão imediata de 'Fernando Bermuda' e o cancelamento de sua filiação.

A decisão levou em conta a gravidade das acusações, a repercussão pública do caso e os prejuízos causados à imagem e à estratégia da legenda. Além disso, o documento pontua que as atitudes do prefeito apresentam indícios de ilícitos eleitorais, como o abuso do poder político - matéria cuja apuração caberá à Justiça Eleitoral.

Com validade a partir da data de sua aprovação (8 de agosto de 2026), a resolução determina que o ato seja comunicado à Direção Nacional do PSB para as providências administrativas e estatutárias cabíveis.
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