Brasil é eliminado pela Noruega e amarga maior jejum em Copas

Bruno Guimarães perdeu um pênalti no primeiro tempo, algo que foi crucial para o desfecho do confronto

UOL
05/07/2026


O sonho do hexa não vai se concretizar mais uma vez para a seleção brasileira. O Brasil perdeu para a Noruega por 2 a 1, nas oitavas de final, neste domingo (5), em Nova Jersey, e está eliminado da Copa do Mundo 2026.

O algoz brasileiro foi Erling Haaland, que fez os dois gols do jogo. Primeiro, levando a melhor pelo alto no duelo individual com o zagueiro Gabriel Magalhães. Depois, acertando um chute de fora da área que morreu no canto de Alisson.

O Brasil tem muito a lamentar pelas próprias falhas. Bruno Guimarães perdeu um pênalti no primeiro tempo, algo que foi crucial para o desfecho do confronto. Além disso, Endrick teve uma chance claríssima já no segundo tempo. Tudo isso colaborou para mais um desfecho negativo para o Brasil em Copas.

O jejum de 24 anos sem títulos da Copa, tal qual no intervalo entre o tri de 1970 e o tetra de 1994, agora vai saltar para pelo menos 28 anos, até a Copa de 2030. Trata-se do maior jejum do Brasil desde que se tornou campeão do mundo.

Em 2026, o Brasil teve a pior campanha desde 1990, quando perdeu para a Argentina também nas oitavas de final.

Como se não bastasse, o Brasil repete o drama de perder para uma seleção europeia no mata-mata do Mundial. A questão é que agora não chegou nem a ser nas quartas, como nas duas edições anteriores, diante de Bélgica, Croácia. Nas oitavas, a remada viking norueguesa prevaleceu.

O Brasil não conseguiu afastar um outro fantasma, que é nunca ter vencido a Noruega. Agora, acrescentou mais um jogo de frustração à estatística.

Como tem contrato com a CBF até a Copa 2030, Carlo Ancelotti vai iniciar o próximo ciclo de preparação. Os próximos jogos do Brasil serão em setembro, na primeira data Fifa pós-Copa, contra Austrália, nos dias 25 e 29.

Gol anulado e pênalti perdido

O Brasil começou o jogo de um jeito esquisito, sem conseguir colocar a bola no chão para sair jogando.

A Noruega tratou logo de mostrar que poderia ser traiçoeira. Um avanço em velocidade, passe na direita, bola rasteira para a área e gol de Berge.

Sorte do Brasil que Sorloth estava impedido na jogada, e o gol foi corretamente anulado. Um susto e tanto ainda aos 2'40 de jogo.

A seleção norueguesa tinha mais a bola no pé. O time de Ancelotti baixou as linhas e nitidamente estava apostando em escapadas com velocidade.

Na primeira jogada que encaixou, Matheus Cunha foi derrubado por Ajer na área. Inicialmente, o árbitro Ismail Elfath ignorou. Mas o VAR chamou, e o pênalti foi marcado.

Aos 13 minutos, Bruno Guimarães tinha a marca na cal. A cobrança, no entanto, foi mal feita. Passadinhas curtas, uma paradinha e um chute telegrafado, à meia altura, sem tanta força. O goleiro Nyland defendeu.

O Brasil não perdia um pênalti em Copa do Mundo, durante o tempo regulamentar, desde Zico, em 1986, contra a França.

Bruno Guimarães não está entre os batedores corriqueiros do Brasil. Com Paquetá machucado e Neymar no banco, Vini Jr. até segurou a bola, mas entregou para o camisa 8 a cobrança.

Equilíbrio

A estratégia da vez do Ancelottismo foi concentrar o time à frente da área e também tentar encurtar espaço para jogadas mano a mano entre Gabriel Magalhães e Haaland.

Em uma dessas trombadas, a bola sobrou para Odegaard na entrada da área. Alisson fez defesa importante na reta final do primeiro tempo.

Antes disso, o Brasil até tinha conseguido algumas subidas ao ataque. A principal chance, fora o pênalti perdido, veio com Vini Jr. Ele foi para 1 x 1, ganhou da marcação e bateu de canhota. Nyland defendeu.

Noruega muda as pontas

Enquanto o Brasil veio sem alterações, em termos de nomes, para o início do segundo tempo, a Noruega tratou de mexer nas pontas.

Na direita, saiu o grandalhão Sorloth (1,95m, 94kg) para entrada de Oscar Bobb. Menor (1,74m, 70kg), mais leve e mais habilidoso. Na esquerda, veio Schjelderup para o lugar de Nusa - o "Neymar norueguês" (sic) pouco fez.

Endrick perde de cara!

Ancelotti recorreu a Endrick aos 13 minutos do segundo tempo, e o jogo mudou de cara para o Brasil. Matheus Cunha saiu.

Já na primeira bola, o atacante perdeu uma chance incrível, depois de passe espetacular de Vini Jr, rasgando a defesa norueguesa. Endrick teve campo aberto, ficou cara a cara com o goleiro, mas se embolou em um tapinha, a bola saiu do controle e o toque que encobriu o goleiro foi para fora. Mais clara que essa chance só o pênalti mesmo.

Mas o Brasil conseguiu instantes de pressão na área norueguesa.

Neymar em ação

Aos 22 minutos do segundo tempo, como último ato antes da parada para hidratação, Neymar entrou no jogo. Assim como Danilo Santos.

Com o ajuste, o desenho do time ficou: Casemiro, Bruno Guimarães e Danilo Santos no meio. Neymar como falso 9, enquanto Vini Jr ficou na esquerda e Endrick, na direita.

Mas o contexto era complicado para o Brasil, que optava por não marcar pressão e observava, sustentando as linhas, as trocas de passes da Noruega. Os noruegueses trocaram mais que o dobro de passes que o Brasil. Neymar praticamente não apareceu, a não ser para levar cartão amarelo.

Haaland apareceu e decidiu

A Noruega estava ensaiando um jeito de achar Haaland. E isso aconteceu com efetividade aos 34 minutos do segundo tempo. A bola cruzada por Schejderup da esquerda achou a cabeça do camisa 9. Ele ganhou no corpo de Gabriel Magalhães, e fez 1 a 0.

O Brasil partiu para a busca desesperada pelo empate. E as chances apareceram mais uma vez. Ou seja, não foi necessariamente um problema de criar. Em um espaço de um minuto, vieram uma bola na trave após goleiro evitar gol contra e outro chute muito perigoso de Casemiro na área.

Apesar dos últimos espasmos, o Brasil não conseguiu empatar e nem evitar a eliminação. Ao contrário: Haaland resolveu mais uma vez. Acertou um chute de fora da área e sacramentou a vitória da Noruega.

O Brasil chegou a diminuir de pênalti, com Neymar, já aos 55 minutos do segundo tempo. Mas foi tarde demais.
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